AMPLIANDO A INCLUSÃO FINANCEIRA DAS MULHERES ATRAVÉS DE PARCERIAS COM INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS DE DESENVOLVIMENTO – Gapi, SI
No âmbito do objectivo da promoção da inclusão financeira das mulheres de forma sistémica, o Programa WIN celebrou um Memorando de Entendimento com a Gapi SI. A Gapi é uma instituição financeira de desenvolvimento, com 36 anos de experiência, 15 delegações e 20 postos de finanças rurais em todo o país, que através da implementação de programas integrados de capacitação empresarial, serviços financeiros e assistência técnica contribui para a inclusão financeira e investimentos geradores de emprego com foco nas zonas rurais.
Ao abrigo desta parceria, de Maio de 2024 a Setembro de 2025, o WIN apoiou a Gapi para reforçar a participação das mulheres na economia local, através da partilha de ferramentas de género e do aprimoramento das políticas internas. A parceria melhorou a política de salvaguardas, viabilizou uma análise de género e fortaleceu a abordagem institucional de integração do género na Gapi.
Inclusão do Género na Gapi antes do WIN
A Gapi já promovia a inclusão do género institucionalmente e nos seus programas, mas o número de mulheres que chegavam ao fim dos programas e aderiam aos financiamentos era comparativamente baixo, em relação a sua participação das formações. Isso, para Edwina Ferro, gestora de programas de empreendedorismo para a área de género e juventude, acontecia porque “nunca se tinha feito uma análise profunda de quem são as mulheres com quem trabalhamos, o que precisam, onde estão, e como melhor as servir”.
Além disso, internamente, “as delegações, especialmente, nas zonas rurais tinham poucas colegas mulheres, o que restringia a aproximação de mulheres aos programas. Elas não sentiam-se à vontade pelo ambiente institucional que havia”.
Nos programas de financiamento, “exigiam-se os mesmos critérios e requisitos para todos os proponentes, sem uma análise profunda sobre as barreiras enfrentadas especificamente pelas mulheres, como tempo disponível, bens em seu nome, nível de literacia e documentação” concluiu Edwina.
Esse cenário dificultava que a Gapi atingisse as metas de inclusão acordadas com parceiros multilaterais pois, apesar de já existir um departamento e uma política de género, fazer-se campanhas e mobilização, poucas mulheres aderiam de facto aos financiamentos.
A parceria com WIN
Cerca de 25 colaboradores(as), gestores(as) e técnicos da Gapi receberam formações em facilitação, análise e política de género, reforçando a sensibilidade ao género na tomada de decisões. Além disso, WIN apoiou a Gapi a reforçar a política de salvaguardas, criando um instrumento para proteger beneficiários(as) e responsabilizar o pessoal por condutas inadequadas.
Essas iniciativas resultaram em:
- Melhoria da linguagem institucional da Gapi tornando, por exemplo, os anúncios de vagas e oportunidades mais inclusivos e ajudando a desconstruir estereótipos de funções;
- Aumento de mulheres na liderança, onde nas 15 delegações da Gapi, passou de duas gerentes para quatro gerentes até 2024;
- Foram reorganizados os espaços de atendimento e trabalho para torná-los mais acessíveis e acolhedores às mulheres.
Aplicação das ferramentas de género
Um dos casos de aplicação das ferramentas de género pela Gapi foi no Projecto Incubox, no Norte de Moçambique. Fez-se uma análise de género para identificar jovens mulheres potenciais beneficiarias com interesse no programa. “Em 2024, no recrutamento de dois técnicos e um assistente administrativo por cada incubadora, determinou-se que um dos técnicos devia ser mulher. Além disso, com aplicação das técnicas de facilitação de formação de género fez-se com que as mulheres, em vez do comércio geral e produção agrícola apenas, se inscrevessem também em áreas de transporte e construção civil, antes dominadas por homens”.
- Beneficiária do INCUBOX em Ribaué, empreendedora na área de construção civil
Alguns resultados da parceria com o WIN
Ao nível institucional, o plano estratégico para 2030 que contém o plano de implementação da política de salvaguarda, passou a incluir sessões transversais sobre género para todos os programas e departamentos, bem como, prevê o aumento de mobilização de fundos para inclusão de género considerando que o orçamento de cada programa abrangerá acções especificas para o equilíbrio de género. Ao nível dos programas num projecto em Boane e Matola, verificou-se uma subida de 40% (2024) dos financiamentos para mulheres para 64% (2025). A Gapi focou-se em “criar equilíbrio de género nas formações de seus programas, fase em que tem controle”.
Uma abordagem institucional com impacto sistémico
Edwina revela que com a abordagem inclusiva de género da Gapi,
“já se podem ver mudanças desde a base, que podem influenciar todo o sistema”. Antes, era mais difícil ter mulheres envolvidas em programas de financiamento, pois os homens se sentiam excluídos. Mas agora, os próprios homens inscrevem e incentivam suas esposas ou filhas a participarem. Os homens também já sentem o efeito positivo da inclusão ao nível familiar. Isso ajuda não só na Gapi, mas em outros programas financeiros que tendem a incluir mais as mulheres”.
Por fim…
A Gapi reconhece que iniciativas como a do WIN nem sempre geram efeitos imediatos, mas já se nota mudança interna que se reflecte nos gestores(as), equipa, programas e beneficiários(as). Para Edwina, uma abordagem de género forte é crucial: as mulheres são a maioria, demograficamente, e têm papel central nas zonas rurais; se estiverem excluídas, a inclusão financeira não se concretiza.

